quando minha filha nasceu, eu pensei que ficaria mais fácil levar essa coisa pesada que é o viver os dias. lutei contra a depressão pós-parto. logo que cheguei do hospital com a bebê, meu marido e minha cunhada, me deu um vazio tão enorme e tão sem sentido que eu pensei que me acabaria ali. passava aquela propaganda: “quando nasce um bebê, nasce também uma mãe” e eu ficava me perguntando em que diabos de planeta eu estava pois eu chorava de uma raiva tão incontida por não ter mais a minha barriga e o meu bebê estava ali tão exposto, tão ao alcance de todos que eu enlouquecia momentaneamente e queria morrer e morrer, ou voltar no tempo.
depois fomos para casa da minha sogra e nossa já faziam dois meses que a Ana tinha nascido e minha relação com ela tinha se estreitado bastante, mas tudo que eu menos queria ver era gente, pessoas que nada tinham a ver no meu mundo (minha sogra mora a quase 500 km daqui e puxa, ela não faz muito sentido para mim) e aquelas pessoas estranhissímas pegavam minha bebê e eu ainda estava no trauma “cadê a barriga?”
até hoje os meus momentos de paz são compartilhados com minha bebê que está prestes a completar 1 aninho e entremeando esses momentos ainda há a angústia, a pressão no peito, a sensação de fracasso em relação a inúmeras atitudes que eu tomei ou mesmo deixei de tomar, à falta de determinação em fazer dieta, ao ano complicadissímo que se inicia em que o meu tempo será praticamente algo minguado, enfim…só não me culpo quanto ao comportamento que eu tenho em relação à minha menina, sei que a tenho criado muito bem dentro dos meus limites de compreensão do mundo, não deixo que a depressão me proste como era antes, mas reconheço que ela existe e nesse momento está sentada em um canto da minha sala.
e eu olho disfarçadamente para ela porque senão a danada pensa que eu estou flertando.
Escrito por Verô
Escrito por Verô 

