so less than this (50%)

Agosto 8, 2007

então né. só a minha mãe consegue o que quer de mim. mesmo. dai que ela ligou quase que chorando pedindo que eu deixasse a Ana-bebê passar uns dias com ela em são paulo. dai que eu deixei, né. porque minha mãe vive lá quase que sozinha e tem umas crises deprê. acontece que eu já chorei liiiitros nessa casa vazia sem a minha pequena. litros mesmo. tomei até mais água que o normal.

e a bebê só volta no domingo.

meu mundo agora é um deserto.

prazer. Verônica, antes de tudo, mãe.


Dai que não é bem assim…

Fevereiro 2, 2007

quando minha filha nasceu, eu pensei que ficaria mais fácil levar essa coisa pesada que é o viver os dias. lutei contra a depressão pós-parto. logo que cheguei do hospital com a bebê, meu marido e minha cunhada, me deu um vazio tão enorme e tão sem sentido que eu pensei que me acabaria ali. passava aquela propaganda: “quando nasce um bebê, nasce também uma mãe” e eu ficava me perguntando em que diabos de planeta eu estava pois eu chorava de uma raiva tão incontida por não ter mais a minha barriga e o meu bebê estava ali tão exposto, tão ao alcance de todos que eu enlouquecia momentaneamente e queria morrer e morrer, ou voltar no tempo.

depois fomos para casa da minha sogra e nossa já faziam dois meses que a Ana tinha nascido e minha relação com ela tinha se estreitado bastante, mas tudo que eu menos queria ver era gente, pessoas que nada tinham a ver no meu mundo (minha sogra mora a quase 500 km daqui e puxa, ela não faz muito sentido para mim) e aquelas pessoas estranhissímas pegavam minha bebê e eu ainda estava no trauma “cadê a barriga?”

até hoje os meus momentos de paz são compartilhados com minha bebê que está prestes a completar 1 aninho e entremeando esses momentos ainda há a angústia, a pressão no peito, a sensação de fracasso em relação a inúmeras atitudes que eu tomei ou mesmo deixei de tomar, à falta de determinação em fazer dieta, ao ano complicadissímo que se inicia em que o meu tempo será praticamente algo minguado, enfim…só não me culpo quanto ao comportamento que eu tenho em relação à minha menina, sei que a tenho criado muito bem dentro dos meus limites de compreensão do mundo, não deixo que a depressão me proste como era antes, mas reconheço que ela existe e nesse momento está sentada em um canto da minha sala.

e eu olho disfarçadamente para ela porque senão a danada pensa que eu estou flertando.