i don’t believe in humans.

Julho 19, 2007

sem fôlego ainda. da primeira vez que caiu um avião da t*am, em 96, minha família morava num prédio ao lado do aeroporto. é claro que nos mudamos na semana seguinte ao acidente. aquilo é um inferno, um pandemônio cravado no meio da cidade e isso já é lugar-comum para as pessoas de bom senso.

mas agora estou longe e como tantas pessoas, inclusive os imbecis do f*uck governo, poderia pensar o que eu tenho a ver com isso? o aeroporto deixou de ser o quintal da minha casa, mas as pessoas de verdade ainda são do meu interesse porque a dor da perda, o sentimento de falta, a ausência e a ferida que nunca cicatriza eu conheço bem. e aquela merda já foi reaberta e mesmo diante do fogo, as outras f*uck pessoas reclamavam do atraso de seus v*ôos. e nós somos de merda mesmo.

agora me diz: cadê o deus todo poderoso? se uma folha de árvore não cai sem sua permissão, creio que o avião explodiu sob ordens expressas dele. que falta de consideração.

uma professora contou que quando ela morava na califórnia, sua casa incendiou-se e seus vizinhos brasileiros foram lá fazer a social e oferecerem ajuda, essa que nunca veio. a ajuda veio de vizinhos americanos que ela nunca havia conhecido.

o brasileiro é muito pau no cu dos outros.


let me say a little pray for me

Julho 17, 2007

PRECE

Senhor, que és o céu e a terra, que és a vida e a morte! O sol és tu e a lua és tu e o vento és tu! Tu és os nossos corpos e as nossas almas e o nosso amor és tu também. Onde nada está tu habitas e onde tudo está – (o teu templo) – eis o teu corpo.
Dá-me alma para te servir e alma para te amar. Dá-me vista para te ver sempre no céu e na terra, ouvidos para te ouvir no vento e no mar, e mãos para trabalhar em teu nome.
Torna-me puro como a água e alto como o céu. Que não haja lama nas estradas dos meus pensamentos nem folhas mortas nas lagoas dos meus propósitos. Faze com que eu saiba amar os outros como irmãos e servir-te como a um pai.
[...]
Minha vida seja digna da tua presença. Meu corpo seja digno da terra, tua cama. Minha alma possa aparecer diante de ti como um filho que volta ao lar.
Torna-me grande como o Sol, para que eu te possa adorar em mim; e torna-me puro como a lua, para que eu te possa rezar em mim; e torna-me claro como o dia para que eu tepossa ver sempre em mim e rezar-te e adorar-te.
Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor, livra-me de mim.

Fernando Pessoa em “O Eu Profundo”.
1912?


behind the secrets things

Julho 17, 2007

oh. para quê viver de ilusão? qual o propósito da minha mente em produzir somente imagens que me corroem a alma e me causam um sofrimento feladap*?

havia um tempo em que eu queria apenas uma vida normal. qualquer vida é. se meu problema é sentir demais não posso esperar que alguém entenda meus sentimentos, eu mesma devo entendê-los e saber trabalhá-los a ponto de conseguir conviver melhor com eles.

por tudo isso, voltei com algumas coisas: com a R.A., com uma tentativa mesmo que tímida de ser mais otimista, de acreditar em algo.

let’s get started


words like violence

Julho 7, 2007

can’t you understand?

sinto saudades de você que me trouxe um pouco de paz. de alegria, talvez. sinto saudades dos momentos que passei viva e que não era tudo como é agora, porque agora nem sei como é.

quando eu tiro os óculos e vejo o mundo embaçado e disconexo é melhor, mas agora estou longe da minha bolha.

estou só.

e a realidade é uma merda.

li em algum lugar

uma metáfora para a minha vida:

tudo parecia extremamente leve.

e cheirava bem.

senti o sangue quente entre meus dedos,

era o meu momento de morte.

welcome to my real world.


maybe in another galaxy

Julho 7, 2007

houve um tempo em que queria ser comum. apenas. sem esses distúrbios consumidores de alma que é a depressão, o t.b.h, o t.o.c e tudo mais…

mas o que é ser comum? hoje me pergunto isso com freqüência. como dizer a uma pessoa que a minha risada é pura conveniência? que a minha alegria é plenamente ensaiada, que os dias passam através de mim e sequer me deixam marcas?

só uma pessoa é capaz de tirar-me desse estado: minha filha. que é a coisa mais linda e mais cheia de graça, mas não faz o tipo de bebê grudento, então na maior parte do tempo sou só eu mesmo.

e eu sou isso daqui. sempre fui. fico triste ao perceber que a pessoa pela qual as pessoas se apaixonaram só existe na imaginação delas.

talvez eu seja menos do que aparento até.

ou mais.

mas a cada dia constato que sou diferente daquilo que esperam de mim.


i don’t say that i never gotta know

Julho 4, 2007

“Vivemos o nosso quotidiano sem entendermos quase nada do mundo. Reflectimos pouco sobre o mecanismo que gera a luz solar e que torna a vida possível, sobre a gravidade que nos cola a uma Terra que, de outro modo, nos projectaria girando para o espaço, ou sobre os átomos de que somos feitos e de cuja estabilidade dependemos fundamentalmente. Exceptuando as crianças (que não sabem o suficiente para não fazerem as perguntas importantes), poucos de nós dedicamos algum tempo a indagar por que é que a natureza é assim; de onde veio o cosmos ou se sempre aqui esteve; se um dia o tempo fluirá ao contrário e se os efeitos irão preceder as causas; ou se haverá limites definidos para o conhecimento humano. Há crianças, e conheci algumas, que querem saber qual é o aspecto dos “buracos negros”; qual é o mais pequeno pedaço de matéria; por que é que nos lembramos` do passado e não do futuro; como é que, se inicialmente havia o caos, hoje existe aparentemente a ordem; e por que *há* um Universo.” (Stephen Hawking, Breve História do Tempo, Introdução)

ando de cara com esse livro. eu me faço essas perguntas indefinidamente. ninguém nunca me respondeu. a escola foi uma droga. minha mãe nunca teve acesso a nenhum tipo de conhecimento a não ser o porque deus quis e eu estou me punindo de morte por começar a ler esse livro só agora. com certeza assunto para os próximos posts.

oh, sim.


“like no other” i say.

Julho 2, 2007

*

 

essas coisas todas passeiam pela minha cabeça. “tanta inveja sobre mim” – disseram nesse sábado. mas inveja de quê? não sei se fico triste ou feliz por isso, eu que nunca pensei em atrair inveja negra, branca ou colorida de ninguém, fiquei de boca aberta mesmo. será o 9,7 de nota que levei de avaliação da minha clientela? sinceramente, não sei mesmo o que pensar…

 

continuo na vidinha de sempre, mas nossa minha cabeça ainda gira ao som de Chet Baker e ele me traz lembranças maravilhosas. quem dera fossem revividas, mas this is impossible, anyway.

 

tanta coisa para dizer ao pé do ouvido, mas cadê coragem? no fundo, sou mesmo uma puta duma covarde para essa coisa em si e para tantas outras.

 

e eu queria tanto falar com a mary w. sobre o spoiler de HP, que nossa, fiquei com uma raiva monstro da rowling… no meu planeta, ela recebeu o status de vaca insana e insensível.

 

como veêm, vidinha normal mesmo.

 

 *mas é a terceira vez que assisto Last Tango in Paris em menos de dois dias. sintomático isso.

 


how so far is me?

Julho 2, 2007

“você não é ninguém e eu poderia ter sido alguém e o caminho entre nós é o amor”

john fante

ando sonhando acordada. puro desespero. rememorando o passado-presente. cortando os pulsos por pensamento.

eu não sou ninguém. nem ao menos mera lembrança.

entretanto, tudo continua aqui, tão dentro de mim.


closer

Junho 29, 2007

“You’re the only story that I never told
You’re my dirty little secret, wanna keep you so
You’re the only story that never been told
You’re my dirty little secret, wanna keep you so.”

minha cabeça gira enquanto o cheiro de gengibre inebria a minha sala.

já estou no meu terceiro cigarro. minha cabeça gira.

o gosto que não sai da boca.

a marca que não sai do corpo.

minha cabeça gira.

você não sabe que minha mente lhe chama?

eu sou só mais uma menina perdida, entre tantas que há.

os cortes ainda não cicatrizaram, mas confesso:

minha cabeça gira e gosto de sentir essa dor.

foi só o acaso.

e ele me fez sentir a vida de novo.

por mero acaso de corpos.

e a minha cabeça gira enquanto sussurro seu nome.

” Oh my sweet thing
Oh my honey thighs
Give me your troubles
I’ll keep them with mine
Take at your leisure
Take whatever you can find but
Oh my sweet thing
Don’t you know it’s alright ?”


das 7 maravilhas maravilhosas

Junho 29, 2007

smile.jpg

confesso. pessoas me são, na maior parte do tempo, enfadonhas e tristes. poucas são as que me tiram do limbo em que costumeiramente vivo. entretanto, tenho de ressaltar as dádivas que campinas, essa cidade tão desgostada por mim, trouxe-me sem que eu lhe desse nada em troca que não fosse meu armagor e minha descrença.

tem a mulher pela qual fui, sou e serei sempre apaixonada. e que agora está longe, longe, longe.

tem o motivo da minha melhor gargalhada. com quem passo horas a conversar e a trocar videozinhos do ioutubiú.

tem o rei-imperador e que só por isso dispensa qualquer comentário adicional.

tem também o fio-master. meu amigo cabeça-verde.

tem a confidente comadre.

tem a minha chefe.

e tem a minha filha, que é a maravilha número zero de todo esse universo.